Voltando ao Ponto de Partida

De alterações climáticas e impasses no Congresso à agitação global e engarrafamento, é fácil dizer o que está errado com o mundo. A parte difícil é olhar diretamente para o que é negativo e transformá-lo em algo positivo. Mas aqueles que assumem os desafios de mudar desvantagens para vantagens são frequentemente recompensados com um efeito dominó de energia positiva, e enfrentar os maiores problemas muitas vezes produz os resultados mais poderosos.

Um exemplo disso é Ryan Gravel, que transformou um dilema dificílimo em um movimento extraordinário para mudança transformadora. Urbanista e autor do livro recém-publicado “Where We Want to Live”, Gravel refletiu sobre os resultados devastadores da expansão urbana do pós-guerra e crescente uso de automóveis em sua cidade natal de Atlanta e propôs alternativas para a revitalização de aspectos de sua extinta e abandonada infraestrutura para sua tese de Mestrado enquanto frequentava a Georgia Tech. Alguns anos mais tarde, enquanto trabalhava como urbanista para uma empresa que focava em projetos de preenchimento de vazio urbano de uso misto, ele compartilhou as ideias de sua tese com colegas e conseguiu desencadear uma revolução popular entre os moradores e influenciadores locais que agora promete transformar um terreno baldio de linhas férreas abandonadas conhecidas como Atlanta Beltline que circundam a cidade em uma maravilha de conservação e comunidades revitalizadas com ênfase em uma conexão com a natureza.

Não muito diferente da célebre High Line em Nova York, onde um grupo de conservacionistas liderou a conversão de uma linha ferroviária abandonada de 1,5 milha, em West Side, em um parque de caminhada, ou as porções abandonadas do canal de concreto do Rio Los Angeles, que foi construído na década de 1930 para conter o rio artificial que originalmente deu à cidade sua razão de ser e foi sendo recuperada gradualmente com parques, ciclovias e arte pública, juntamente com outros planos do arquiteto Frank Gehry a transformá-lo mais ainda em um lugar onde os moradores dependentes de automóveis possam comungar uns com os outros e com a natureza, o projeto da linha férrea de Atlanta tem como objetivo melhorar a vida dos moradores atuais, reimaginando as antigas relíquias de infraestrutura da cidade. E graças à grande visão de Gravel e a paixão das pessoas que o apoiaram, o projeto da linha férrea de Atlanta se tornou um dos projetos mais ambiciosos do país para a reintegração de infraestruturas obsoletas no tecido urbano e torná-lo uma parte viva de como as pessoas vivem hoje.

Desde que o movimento popular para as ideias de Gravel começou a se desdobrar em 2001, a legislação e as obrigações fiscais de investimento foram aprovadas, e US$ 400 milhões em apoio do sector privado tem sido levantados para ajudar a ativar a transformação da linha férrea,  que Gravel espera resultar em US$ 3 bilhões em crescimento do setor privado a medida que o projeto se desenvolve. Além de atrair uma nova onda de negócios para fora dos subúrbios e de volta para a cidade para acomodar as preferências de estilo de vida de uma nova geração de trabalhadores, o projeto também ajudará a reduzir a dependência do uso de carros, permitindo que as pessoas vão ao trabalho a pé ou de bicicleta, e poupando o dinheiro de pessoas de menor faixa de renda, reduzindo seus custos de transporte. Com 6 das 22 milhas de trilhos no circuito já reconstruídas, Gravel também vê o projeto resultando em benefícios à saúde da comunidade, tanto a nível físico quanto mental. “Dick Jackson, diretor do Centro de Controle de Doenças (CDC) em Atlanta, acredita que um estilo de vida ativo pode fazer mais por uma boa saúde do que qualquer receita médica”, acrescenta Gravel, que também aponta para o componente “natureza” dos parques do projeto oferecendo benefícios à saúde mental a medida que a antiga infraestrutura se transforma gradualmente em uma reflexão atual sobre como e onde as pessoas querem viver.

Então, como pode o resto de nós seguir o exemplo de Gravel e servir como agentes de mudança positiva em nossas próprias comunidades? O autor oferece oito tópicos essenciais em seu livro que podem servir como princípios orientadores para estimular uma mudança positiva. Dentre as lições mais importantes, diz ele, é perceber que “quanto maior, melhor.” Conforme comprovado pelos resultados de sua própria visão, “grandes ideias trazem parceiros que toram os projetos robustos e expandem o eleitorado”, diz ele. Outra chave para o sucesso é incluir todos na visão. “Em vez de promover projetos de ‘cima para baixo’, você quer desempenhar um papel catalisador com design para todos – ciclistas, corredores, skatistas, compradores e residentes – e não apenas motoristas”, acrescenta. Outro componente crítico é prever projetos que promovam uma sensação de autenticidade. “Com a expansão, tudo parece o mesmo – reimaginar um elemento existente conecta você com o que há de especial e único sobre uma cidade”, explica ele.

Pensadores e ativistas como Gravel também exemplificam um mantra na Interface: “De algo negativo vem algo positivo.” E, como Gravel, as pessoas na Interface praticam consistentemente o que pregam, tomando medidas construtivas para superar problemas como a reciclagem de resíduos pós-industriais, minimizando o uso de substâncias tóxicas em seus produtos, e criando pisos inspirados na natureza que elevam o espírito humano. Ao adotar atitudes semelhantes, é fácil imaginar como todos nós poderíamos no tornar forças diárias para o bem e transformar problemas – grandes e pequenos – de formas semelhantes.

Para mais informações sobre o livro de  Gravel e suas ideias, visite https://ryangravel.com/book/. E para mais inspiração sobre os esforços da Interface em tornar o negativo em positivo, visite nossa página Negative to Positive.

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